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30 de Junho de 2022

Advogado especialista ou generalista? Eis a questão da advocacia

Quais as vantagens de se aprofundar em uma determinada área de conhecimento jurídico e quais as vantagens de uma atuação mais ampla? Um caso prático.

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Publicado por Blog do Jusbrasil
ano passado

A escolha entre se especializar em uma determinada área de preferência ou praticar a advocacia generalista pode representar um verdadeiro conflito para um jovem advogado. Afinal, trilhar seus caminhos dentro do conhecimento jurídico poderá definir sua opção por diferentes pós-graduações, cursos de especialização e, até mesmo, o tipo de causa que você opta por representar.

Enquanto ser um profissional generalista pode ser uma estratégia interessante no início de carreira, capaz de te abrir portas para diferentes possibilidades de atuação, bem como te auxiliar na compreensão da lógica do ordenamento jurídico como um todo, a especialização pode ser bem-vinda ao permitir o aprofundamento em causas complexas e o reconhecimento do profissional como referência na área.

Neste artigo, exploramos aspectos da generalização e da especialização a partir de aspectos da advocacia em Direito Digital.

A especialização no Direito Digital: um caso prático

Frequentemente, a localização geográfica de jovens profissionais no mapa de áreas do Direito não é muito exata. Isso ocorre ainda mais se a sua área de interesse for o Direito Digital.

A integração de tópicos de Direito Digital tem sido variada em cursos de Direito no Brasil. No meu caso, durante a graduação, consistia apenas em uma disciplina opcional, com pouquíssimas e disputadas vagas.

Os temas das aulas variavam entre os fundamentos do blockchain, as possibilidades de uso de contratos inteligentes, a regulamentação de grandes empresas de tecnologia e a compreensão de noções básicas sobre fundamentos técnicos do Marco Civil da Internet.

Mais ao final do curso, os tempos exigiram que algumas das disciplinas do currículo tradicional começassem a incorporar assuntos do mundo digital:

  • Quais os limites da responsabilidade pessoal pela disseminação de fake news?
  • Qual o regime de tributação de novos ativos digitais?
  • Como combater as práticas de lavagem de dinheiro dentro do contexto de jogos online?
  • Quais os impactos do Big Data na advocacia?

Apesar de existirem materiais diversos que abarquem esses temas, os assuntos são extremamente variados, bem como suas consequências no mundo jurídico.

A formação de jovens profissionais com interesse em Direito, Tecnologia e Inovação nesse período de adaptação curricular pode ter concedido a vários deles características de uma pesquisa jurídica generalista. Opta-se por explorar o mundo dos avanços tecnológicos e as possibilidades de temas dentro do mundo digital são imensas.

Eu sabia que eu gostava de uma coisa: explorar os impactos da tecnologia no mundo jurídico.

Nesse sentido, posso dizer que comecei a carreira como uma espécie de generalista digital.

Aos poucos, entretanto, percebi que seria impossível dominar todos os campos de conhecimento, mesmo dentro da minha bolha do Direito Digital. Esse entendimento veio da compreensão de que as antigas divisões entre real e digital não são mais fortes como antes.

Aquilo que divida o real do virtual caiu e vivemos em um só mundo: o nosso, em constante contato com as Tecnologias de Informação e Comunicação.

O mercado jurídico tem se aproximado cada vez mais dessa visão, e hoje temos cursos ofertados pela própria OAB que se propõem a inserir profissionais do Direito no contexto de tecnologia e inovação na Advocacia - como é o caso deste curso ofertado pela Escola Superior de Advocacia do DF.

O pesquisador nato: vantagens da advocacia generalista

Uma das grandes vantagens que observei no meu caminhar pelas diversas áreas de atuação jurídica - seja participando de competições ou estagiando nos mais diversos locais - foi o contato com a lógica jurídica.

Essa exploração dá gravidade ao fato de que saber pesquisar bem é uma das habilidades mais importantes de um jovem profissional da advocacia.

Mesmo trabalhando com áreas tão diferentes, há um todo que parece unir o Direito e torná-lo mais palpável quando você possui o domínio inicial da linguagem que a Faculdade te permite ter.

É uma lógica por trás da redação de um contrato ou peça jurídica que diz respeito à importância da clareza e de uma boa pesquisa. Isso faz com que um bom advogado reconheça um modelo de peça ruim - mesmo sem nunca ter trabalhado em cima daquela peça - ou que construa seu próprio contrato sobre uma área até então desconhecida, caso esteja aberto para buscar o conhecimento e possua o tempo necessário para a pesquisa.

Outra vantagem da opção por uma carreira generalista, por exemplo, pode ser para a atuação em cidades do interior. Em cidades com um menor número de profissionais, a tendência é que, no trajeto de consolidar seu nome, você receba casos variados que provavelmente irão te retirar da zona de conforto.

Nesse sentido, a adaptabilidade e a abertura para uma atuação diversificada pode auxiliar seus primeiros passos na advocacia profissional autônoma.

No serviço de Escritório Online Jusbrasil, pessoas de todo o território nacional realizam solicitações para atendimento de um advogado nas mais diversas áreas de demanda jurídica. Nesse local, é possível conquistar seus primeiros clientes, realizar atendimentos, monitorar seus processos de forma gratuita e auxiliar pessoas na solução de seus problemas.

Por mais que haja um desejo focar em áreas específica do Direito, a compreensão do andamento da carreira e da necessidade de consolidação de um nome dentro da advocacia transmitem a importância de uma base sólida comum, de modo a permitir a atuação em suas primeiras causas.

A importância das redes de contato: o especialista bem conectado

Você decidiu se especializar em um segmento do Direito.

As vantagens da especialização são claras: a aquisição de um conhecimento técnico na área, a possibilidade de ser visto como autoridade em um determinado assunto, o contato facilitado com sistemas, profissionais e burocracias de uma autoridade ou Tribunal específico.

Uma dica para profissionais que decidem pela especialização é manter redes de contato bem consolidadas, também referências em suas respectivas áreas de atuação. Com a criação de redes, você facilita o encaminhamento de demandas para profissionais que trabalham com áreas que fogem de sua expertise e, ao mesmo tempo, se torna referência dentro de seu campo de atuação para estes parceiros.

Por óbvio, isso não significa que você terá menos atividade de pesquisa do que um advogado generalista. Justamente para se manter atualizado e referência naquela área de especialização, você terá que realizar o estudo de maneira constante.

Além disso, a profissão jurídica nos trás demandas variadas e, por mais que tenhamos domínio de uma determinada área, é muito possível que novos desafios se apresentem com os novos casos que atendemos.

Por exemplo: por mais que você se reconheça como um expert no campo de contratos societários, é inegável que este seja um campo enorme e que, para realmente se consolidar, você precisará compreender das mais diversas áreas do Direito e de campos diferentes de conhecimento do mundo, da burocracia e de áreas técnicas.

Por óbvio, a sua expertise e a facilidade com que você transita naquela área será valorizada por pessoas com demandas no seu segmento de atuação.

Conclusões: especializar ou generalizar?

Muitas vezes, a opção entre se especializar ou atuar de forma mais geral na advocacia será fruto do seu contexto - suas preferências pessoais, os estágios que você fez, as pesquisas jurídicas nas quais ingressou, sua motivação para atuar em demandas das mais variadas ou até mesmo as exigências do escritório onde você trabalha.

Perceba que mesmo dentro da atuação no segmento do Direito Digital e da Inovação Jurídica, existe a possibilidade de atuar de forma mais generalista mas, também, oportunidades de especialização em campos muito específicos da área digital.

Aos poucos, começamos a ver escritórios de Direito Digital oferecendo uma cartela ampla de serviços:

  • Consultoria para período eleitoral em matéria digital;
  • Crimes contra a honra cometidos na Internet;
  • Vazamento de fotos íntimas e remoção de conteúdo;
  • Falha na prestação de serviço de e-commerce;
  • Combate à fraudes eletrônicas e cibercrimes.

Todos esses são temas de interesse que, mais e mais, se incorporam no cotidiano do brasileiro.

Seja sua opção por se especializar ou por ter uma carreira generalista, a incorporação de temas do ambiente digital e o conhecimento técnico sobre internet e novas tecnologias pode ser um diferencial para o seu trabalho como jovem profissional em um mundo de novas demandas jurídicas.

Quais as suas opiniões sobre o tema? Quais vantagens e desvantagens você vê entre a opção de atuar de forma generalista na advocacia ou de forma segmentada? Você teria alguma dica para os novos profissionais da área?

Deixe aqui seus comentários para que possamos discutir as ideias na Comunidade do Blog Jusbrasil.


Texto de Emanuella Ribeiro Halfeld Maciel

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6 Comentários

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A questão é que a especialidade abordada no artigo, direito digital, também não deixa de ser uma área generalista dentro do campo digital, uma vez que citados serviços envolvem o direito eleitoral, direito criminal, direito civil e direito do consumidor, logo, o advogado que atua na "especialidade" de direito digital, não deixa de ser generalista por demandar conhecimento e experiência em todas estas áreas citadas. continuar lendo

Bem, analisando a questão de forma matemática, a vantagem da especialização é o aumento da produtividade e a valorização da hora de trabalho do profissional.

Eu acredito que um bom advogado até consegue fazer de tudo, mas custa muito tempo de trabalho. Como eu sempre digo, em 3 dias eu consigo fazer uma petição sobre qualquer assunto jurídico. Afinal, o Direito é uma área que nos permite ser autodidatas.

Por outro lado, se eu fizer apenas petições trabalhistas que eu já eu domino e que eu já tenho um modelo consolidado eu posso fazer e protocolar 20 iniciais por dia.

Digamos que nos dois casos (uma área que eu domino e uma área que eu não domino) eu vá receber mil reais por processo. No primeiro exemplo (área que eu não domino) ao longo de três dias de trabalho eu posso vir a gerar mil reais de lucro. Já no segundo caso, ao longo de três dias de trabalho eu posso vir a gerar 60 mil reais de lucro.

Essa é a grande vantagem da especialização. Não precisar fazer 3 dias de pesquisa para cada petição.

É claro, essas considerações somente são relevantes se o advogado tiver clientes o bastante para ter a agenda cheia.

Portanto, podemos resumir em uma equação simples:
Para o advogado iniciante, que ainda não conseguiu encher a agenda, ser generalista vale a pena (afinal, melhor trabalhar com o que aparecer do que ficar parado). Mas a partir do momento em que ele tiver trabalho o bastante para encher a agenda, ele deve passar a ser mais criterioso com os casos que aceita, assim se tornando aos poucos um especialista. continuar lendo

Atualmente não há espaço de sucesso para o advogado generalista ou "clinico geral". Simples assim.

Se o profissional pretende alicerçar seu espaço no mercado, deve, obrigatoriamente, se especializar.

civilista é civilista, criminalista é criminalista, tributarista é tributarista e generalista é o "clinico geral" não especializado em nada.

O "faz tudo" nunca é um profundo conhecedor dos ramos do direto.

No caso da matéria, o direito digital é uma espécie e não um gênero.

Seria ideal que os vários especialistas (civilistas, tributaristas, criminalistas etc...) tivessem os conhecimentos específicos da área digital.

Então teríamos, em tese, direito digital civil, direito digital criminal e etc.

Abraços. continuar lendo

Advogado especialista em cidade pequena acaba falindo pela falta de clientes que pretendem ingressar com uma ação de uma determinada área. Se esgotam rápido demais. continuar lendo