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30 de Junho de 2022

Que tipo de líder você é? Saiba quais são as teorias da liderança e como aplicá-las em seu escritório

Ser um líder é bem diferente de ser simplesmente um chefe. Entenda quais são as principais habilidades e posturas que bons gestores utilizam para ter equipes de sucesso.

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ano passado

Você sabia que nas Teorias de Liderança, a posição de líder é diferente da posição de chefe?

O líder é uma pessoa que exerce influência na empresa ou no setor onde trabalha. É um impulsionador de necessidades, realizando a persuasão e tentando gerar reações nas pessoas de seu convívio.

Por natureza, um líder é um agente comunicacional e um agente de mudança que inspira as pessoas a alcançarem resultados. Essa definição implica na compreensão da liderança como uma habilidade relacional, conectada à capacidade de lidar com as pessoas e de se colocar no lugar do outro.

A posição de liderança precisa ser reconhecida dentro de um ambiente e, por isso, nem sempre o líder é o superior hierárquico do local. Trata-se de uma posição a ser conquistada pelos gestores ou será fadada ao fracasso. Enquanto o gerente ou chefe possui o poder formal, é possível que essa pessoa não exerça a posição de liderança, ao não conseguir se comunicar bem ou não possuir aptidão para se relacionar. Por outro lado, é plenamente possível que o líder não seja um superior hierárquico, mas sim uma pessoa inspiradora, percebida como guia ou como exemplo pelos outros funcionários.

Elencamos, neste texto, algumas das principais Teorias da Liderança a fim de auxiliar na compreensão dessa habilidade que pode ser tão necessária para a advocacia - afinal, quando falamos de liderança, estamos falando da boa gestão de um escritório e de habilidades que, se reconhecidas em jovens profissionais, podem auxiliar seu sucesso profissional.

Embora as Teorias possuam raízes e conclusões diferentes, em cada uma delas é possível extrair conhecimentos importantes para a compreensão da ideia de um bom perfil de liderança.

A Teoria dos Traços: o líder nato

Será que uma pessoa nasce com potencial de liderança ou essa é uma habilidade desenvolvida? Para a Teoria dos Traços de Liderança, alguns padrões genéticos e hereditários definiriam maior aptidão para ser líder. Aspectos pessoais como valores, inteligência, confiança e até aparência seriam determinantes para a posição de liderança.

Essa teoria perdeu força em meados do século XX - atualmente, a premissa é de que ninguém nasce líder, mas que esta é uma habilidade como qualquer outra que pode ser melhor estudada e desenvolvida.

Teorias Comportamentais de Liderança

O ramo de Teorias Comportamentais de Liderança dizem que esse é um atributo que não representa quem a pessoa é, mas sim a como ela se comporta. A ideia é de que o líder pode ser treinado.

ESTILO DE LIDERANÇA: AUTOCRÁTICO, DEMOCRÁTICO E LIBERAL

Kurt Lewin foi um psicólogo que viveu na Década de 30. Sua teoria aponta para três estilos diferentes de liderança, quais sejam:

O Líder Autocrático: Perfil centralizador, que não repassa decisões para a equipe nem coleta muitas opiniões. Apesar disso, tudo que acontecer no ambiente de trabalho deve passar por ele para aval.

O Líder Democrático: São divididos em dois grupos, os consultivos, que consultam os funcionários mas tomam a decisão final sozinhos e os participativos, que envolvem outras pessoas para a tomada de decisões.

O Líder Liberal: Posição que garante maior autonomia e liberdade aos subordinados. Em suma, o Líder Liberal transmite seus poderes para a equipe.

Embora Lewin tivesse o objetivo de apresentar qual o melhor perfil comportamental de um líder ao iniciar seus estudos, o psicólogo descobriu que o melhor modelo de liderança era puramente contextual.

Nos casos em que uma decisão necessita ser tomada com rapidez, um perfil de Líder Autocrático pode ser necessário, não havendo tempo hábil para longas discussões com funcionários. Por sua vez, decisões com grandes impactos a longo prazo ou decisões de organização estratégica podem se beneficiar de métodos mais participativos.

A urgência, o contexto e o ambiente determinariam, portanto, o melhor comportamento a ser adotado por um líder.

Foco em tarefas ou foco em pessoas?

A evolução dos estudos de liderança foi capaz de criar duas novas vertentes teóricas: a da estrutura de iniciativa e de consideração.

Quando falamos em iniciativa, temos um nome auto-evidente: trata-se do foco em tarefas e na avaliação de como o trabalho deve ser feito ou deve ser organizado.

Nesse sentido, o líder orientado para tarefas:

  • Distribui as tarefas entre os subordinados;
  • Foca nas responsabilidades individuais;
  • É orientado por metas de desempenho;
  • Realiza comparações práticas com a concorrência e com o passado.

Por sua vez, as Teorias de Consideração tratam de uma liderança orientada para pessoas, que possui as seguintes características:

  • Apoio aos funcionários;
  • Ênfase nas relações humanas;
  • Desenvolvimento do trabalho em equipe

Teoria do Continuum de Liderança: do líder aos subordinados

A Teoria do Continuum de Liderança, desenvolvida na Década de 50 pelos pesquisadores Robert Tannenbaum e Warren Schimidt sugere uma abordagem situacional de liderança, focada entre dois extremos: a liderança centrada no líder e a liderança centrada nos subordinados.

Trata-se, portanto, de um continuum de liderança entre os extremos autocrático e liberal, conforme demonstra a imagem abaixo:

A escolha do grau de autonomia e autoridade dependeria de três aspectos:

  1. Força do Líder: Seu know-how, suas habilidades, sua experiência e aptidão para assumir responsabilidades;
  2. Força dos Subordinados: Sua educação, sua prontidão para tomar responsabilidades, seu know-how;
  3. Força da Situação: Complexidade, objetivos, estrutura organizacional, natureza do trabalho.

Nesse sentido, uma equipe jovem que não possui conhecimento da área talvez se beneficiasse de uma liderança mais autoritária a fim de aprender a estrutura organizacional do trabalho, enquanto uma equipe com maior expertise poderia ser permitida maior autonomia no desenvolvimento de suas tarefas.

Teoria da Grade Gerencial: busca do máximo de equilíbrio com máximo de eficiência

A melhor maneira de compreender a Teoria da Grade Gerencial é através da observação da imagem abaixo:

No gráfico, percebemos que o eixo x indica a preocupação pela produção e pela realização de tarefas, enquanto o eixo y indica a preocupação com pessoas. Para os autores, uma boa liderança estaria situada na posição indicada na imagem pelo eixo {9;9}.

Chamada de "Gerência em Equipe" ou "Liderança em Equipe", este perfil de liderança teria preocupação máxima com ambas tarefas e pessoas, sem negligenciar qualquer um dos aspectos do gerenciamento.

As características deste perfil seriam:

  • Capacidade de aliar o foco em tarefas com o foco na equipe;
  • Flexibilidade na tomada de decisão;
  • Humildade para trocar de opinião quando necessário;
  • Incentivo à esforços, à excelência e ao desenvolvimento individual e coletivo da equipe;

Teorias Contigenciais de Liderança: observando a situação

Enquanto as Teorias Comportamentais de Liderança, conforme mostrado acima, apresentam aspectos de comportamento mais vantajosos a um líder bem sucedido, as Teorias Contigenciais visam analisar características de liderança que melhor favorecem situações específicas.

Neste sentido, levam em conta o ambiente e contexto onde o líder está inserido, além da relação entre líder e subordinados, a estrutura da tarefa a ser exercida e o poder de autoridade do líder.

Teoria do Caminho-Meta: foco em motivação e recompensas

A base da Teoria do Caminho-Meta é observar o auxílio que o líder presta aos seus subordinados para alcançar os resultados esperados por ele e pela organização. Nesse sentido, o trabalho do líder é mostrar quais as recompensas disponíveis, equalizando as recompensas com as necessidades reais dos seus empregados.

Um bom líder deve olhar para a situação e se perguntar:

  • Os empregados procuram recompensas materiais (monetárias, prêmios etc) ou intrínsecas (melhor ambiente de trabalho, maior realização pessoal)?
  • Como aumentar a percepção dos empregados do valor da recompensa?
  • Como esclarecer os caminhos para obtenção da recompensa?
  • Como aumentar a confiança dos empregados para atingir os resultados?

Com estas perguntas respondidas, o resultado é maior esforço e motivação dos subordinados, o que garante maiores conquistas e benefícios para a organização.

Teoria da Liderança Situacional: análise de maturidade dos subordinados

A Teoria da Liderança Situacional, desenvolvida por Hersey e Blanchard, busca investigar a relação entre a maturidade dos empregados e o comportamento do líder para o desenvolvimento de uma tarefa.

Empregados com maior nível de maturidade de independência seriam capazes de assumir responsabilidades de forma mais autônoma com sucesso. Nesse sentido, o trabalho do líder seria guiá-lo em um modelo de liderança participativa.

Caso os subordinados atinjam alto nível de habilidades, de iniciativa e de independência, é possível até mesmo um estilo de liderança que privilegie a delegação.

Por sua vez, em ambientes de trabalho com maior indisposição para as tarefas, seria ideal que o líder assumisse uma postura focada na realização de tarefas.

Liderança Transacional: a troca de recompensas

No modelo de liderança transacional, o líder estabelece metas a serem alcançadas e os prêmios que serão recebidos com o cumprimento dos objetivos. A relação de trabalho, portanto, assume características de uma transação, de uma troca entre líder e subordinado, o que justifica o seu nome. O líder, por sua vez, intervém apenas quando padrões e metas não são alcançados.

Liderança Transformacional: motivação e inspiração

A motivação dos funcionários vem de aspectos para além de recompensas, como uma visão compartilhada, valores, princípios e ideais colocados para que os empregados se superem.

A forma de liderança transformacional pressupõe o uso de carisma e aplicação de sentido, orgulho e respeito no trabalho, de forma a garantir confiança.

O líder possui um importante papel de estímulo intelectual, promovendo a solução de problemas de forma cuidadosa e alinhada com os princípios da organização.

Apesar de colocar altas expectativas no desenvolvimento do trabalho, é cuidadoso e apresenta os objetivos de forma simples.

Por fim, também apresenta atenção personalizada, auxiliando no desenvolvimento pessoal e aconselhamento de cada funcionário.

Teoria da Liderança Visionária: o compartilhamento de uma visão de futuro

Essa teoria foi desenvolvida pelos autores Bennis e Nanus e aponta para a capacidade de criação de uma visão de futuro na organização do ambiente de trabalho. O líder visionário escolhe uma visão que faça sentido com aquele ambiente e se comunica de forma a compartilhar essa visão, garantindo que os funcionários se dediquem para a transformação da realidade.

Qual liderança utilizar no meu contexto?

De forma alguma meu objetivo com este texto foi esgotar todas as Teorias de Liderança e suas aplicações. Trata-se de um mundo complexo, em cima do qual pesquisadores têm se debruçado há anos.

Apesar disso, ao apontar algumas das principais teorias e suas características, podemos extrair algumas informações gerais importantes, elencadas abaixo:

  1. Ninguém nasce apto ou inapto a ser um bom líder - as habilidades podem ser aprendidas;
  2. Uma boa liderança pode estar atrelada com uma boa leitura de ambientes, que envolve tanto a percepção das pessoas como das tarefas;
  3. Estilos de liderança mais autoritários ou participativos podem ser aplicados por um mesmo líder em situações diferentes;
  4. Compreender aquilo que motiva seus funcionários é essencial: seja uma recompensa, uma visão de mundo ou seu desenvolvimento pessoal.

Se quiser aprofundar ainda mais seus conhecimentos em gestão e liderança, recomendo a leitura do eBook "A verdadeira gestão para pequenos e médios escritórios de advocacia". Este eBook traz um olhar aprofundados sobre as conexões entre foco em pessoas, finanças e tecnologia para alavancar o crescimento de um escritório.

Gostou de conhecer os fundamentos de algumas das Teorias de Liderança? Deixe seu comentário sobre como essas teorias podem ser utilizadas na gestão de um escritório de advocacia.


Texto de Emanuella Ribeiro Halfeld Maciel

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2 Comentários

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Excelente. continuar lendo

A linguagem do texto é perfeita! O texto em si é excelente! Explana cada teoria de forma eficaz e educativa, trazendo consigo imagens ilustrativas que fazem o leitor mergulhar no tema. Uma ótima leitura! continuar lendo