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30 de Junho de 2022

Futuro do trabalho: os impactos da covid no pós-pandemia

A pandemia do Covid-19 transformou as relações humanas, especialmente as relações trabalhistas. Leia e se prepare para o futuro do trabalho, que já é agora!

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ano passado

Você sabe como será o futuro do trabalho no pós-pandemia? Ou melhor dizendo, você entende o impacto das transformações que estão acontecendo nas relações laborais desde o início das medidas de isolamento social?

De fato, a pandemia do Covid-19 transformou drasticamente vários aspectos das relações humanas, a nível mundial. Por isso, a forma como as pessoas levam suas vidas com certeza não será mais a mesma, já está marcada por este período que estamos vivendo.

O trabalho foi uma das áreas mais afetadas pela pandemia. Sem poder sair de suas casas, muitos profissionais se perguntaram: como trabalhar e respeitar os protocolos de distanciamento social? Como serão as relações de trabalho no futuro?

Felizmente, a disrupção tecnológica já vinha acontecendo há algum tempo antes da pandemia. Graças ao desenvolvimento do ciberespaço, o trabalho remoto - mais conhecido como home office ou anywhere office - já era uma possibilidade para muitas profissões.

Programadores, juristas, designers e analistas de dados são alguns dos trabalhos do futuro, que se adaptaram bem à reviravolta desencadeada pelo Covid-19.

Apesar disso, profissionais da limpeza, produtores de eventos, motoristas de ônibus, médicos e muitos outros trabalhadores não possuem a prerrogativa do trabalho remoto.

Em função da crise sanitária, o desemprego em 2020 atingiu a taxa histórica de 13,9%, com 13,9 milhões de desempregados, segundo dados do IBGE.

A boa notícia é que o futuro do trabalho na advocacia apresenta uma perspectiva melhor, já que a maioria dos processos na atualidade são eletrônicos. No Direito, a transformação digital e o trabalho já tinham uma relação de proximidade.

Leia este post e descubra como será o futuro do trabalho no Brasil, além de outras perspectivas importantes sobre o assunto que você encontra listadas logo aqui abaixo.

Fonte: https://www.dialogando.com.br/comportamento/5-dicas-home-office

O que você encontra nesse post?

Assim, você vai encontrar nesse post:

  • Como é o regime legal do trabalho na pandemia?
  • O mercado de trabalho já é digital
  • Desigualdade digital
  • Direitos fundamentais de segunda dimensão
  • O futuro do trabalho no Direito
  • Dicas para trabalhar em home office de forma inteligente
  • Ferramenta para escritórios em teletrabalho

Como é o regime legal do trabalho na pandemia?

A norma hoje vigente encarregada de disciplinar o regime de trabalho na pandemia é a Lei nº 14.020, de 6 de julho de 2020. Veja, abaixo, alguns dos pontos principais trazidos pela lei:

  • Possibilidade de prorrogação dos acordos de redução proporcional da jornada de trabalho e salário e suspensão do contrato de trabalho;
  • Ampliação das hipóteses em que podem ser pactuadas, por meio de acordos individuais, a redução da jornada de trabalho com redução proporcional do salário e suspensão do contrato de trabalho;
  • Possibilidade de celebração de acordos ou convenções coletivas após celebração de acordos individuais - mas, nesse caso, as novas regras só serão aplicadas se forem benéficas ao trabalhador;
  • Renegociação de empréstimos, financiamentos e dívidas de cartão de crédito, diretamente com os bancos, pelos empregados que tiveram redução de jornada e salário, suspensão do contrato de trabalho ou contaminação por Coronavírus.

A Lei 14.020 disciplina assunto antes regulamentado pelas Medidas Provisórias nº 927 e 936. Ela representa a necessidade de se repensar as relações trabalhistas durante o período emergencial pelo qual ainda passamos.

Outro exemplo dessa necessidade é o Projeto de Lei nº 755, de 2020, ainda em tramitação, que busca proteger o trabalhador no período da crise sanitária.

Confira o teor do quarto artigo deste Projeto de Lei:

Toda atividade laboral capaz de ser realizada na forma de teletrabalho deve ser a esta modalidade convertida, sem a necessidade de que seja expresso no contrato de trabalho conforme previsto no Art. 75-C do Decreto Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, durante o período de quarentena.

O PL 755/20 também vai além e procura determinar, dentre outras medidas, que:

  • Todo trabalhador adquira estabilidade no caso de suspensão da atividade laboral em decorrência da crise sanitária;
  • Sejam vedadas demissões nesse período;
  • Os empregadores que obriguem seus funcionários a desrespeitar o isolamento social sejam enquadrados como autores do crime de infração de medida sanitária preventiva.

O mercado de trabalho já é digital

O futuro do trabalho é remoto, mas está bem perto.

Podemos encontrar comprovação disso na Lei 14.020, quando ela dispõe, em seu art. , que:

“§ 4º Se, durante o período de suspensão temporária do contrato de trabalho, o empregado mantiver as atividades de trabalho, ainda que parcialmente, por meio de teletrabalho, trabalho remoto ou trabalho a distância, ficará descaracterizada a suspensão temporária do contrato de trabalho, e o empregador estará sujeito:

I - ao pagamento imediato da remuneração e dos encargos sociais e trabalhistas referentes a todo o período;

II - às penalidades previstas na legislação em vigor; e

III - às sanções previstas em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.” (grifo nosso)

Isso significa que a legislação brasileira protege expressamente a modalidade de teletrabalho.

Podemos encontrar outra referência sobre a popularidade crescente do home office no estudo “Tic COVID-19: Pesquisa sobre o uso da Internet no Brasil durante a pandemia do novo coronavírus - Ensino remoto e teletrabalho”, publicado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br).

Segundo a pesquisa, 38% dos usuários de internet brasileiros que trabalharam durante a pandemia realizaram trabalho remoto. 30% dos internautas que trabalharam no período venderam produtos ou serviços por aplicativos de mensagens.

Isso significa que cerca de 4 a cada 10 brasileiros que frequentam o ciberespaço já estão se adaptando à realidade do futuro do trabalho. Indubitavelmente, o futuro do mercado de trabalho está nas redes.

Desigualdade digital

É necessário lembrar, todavia, que existe um recorte de classe profundo quando o assunto é acesso à rede.

O mesmo estudo da CETIC afirma que o perfil predominante dos que realizaram teletrabalho foi o de pessoas com Ensino Superior e pertencentes às classes AB (e, curiosamente, aqueles com 60 anos ou mais também se destacaram).

Funcionários públicos, trabalhadores da educação, da administração pública e de atividades técnicas e científicas foram os que mais exerceram teletrabalho.

Outro aspecto da exclusão digital é referente à forma como acontece o acesso à rede. As pessoas com menor escolaridade, de classes mais baixas e jovens realizaram o acesso predominantemente pelo aparelho celular.

Outra pesquisa realizada pelo mesmo órgão, intitulada TIC Domicílios - Pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos domicílios brasileiros, confirma esse dados sobre os dispositivos de acesso, conforme podemos observar do gráfico abaixo:

Fonte: TIC Domicílios, p. 70

Direitos fundamentais de segunda dimensão

Apesar de o acesso à rede e a possibilidade de realizar teletrabalho se encontrarem limitadas a um número pequeno de pessoas, uma coisa é certa: esse é o futuro.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) afirma que no pós-Covid-19 o bem estar social não será possível sem uma transformação digital.

O órgão publicou um informe chamado “Universalizar o acesso às tecnologias digitais para enfrentar os efeitos do COVID-19”, cujo título já diz tudo. Nações em todo o globo já estão cientes de como a promoção do bem-estar digital é uma alta prioridade para melhoria na qualidade de vida da humanidade.

Essa proeminência pode ser explicada através da relação cada vez mais próxima entre acesso à rede e alguns dos direitos fundamentais de segunda dimensão. À medida que corre o tempo, educação e trabalho dependem mais intensamente de políticas de inclusão digital.

Imagine uma pessoa que possui apenas um aparelho celular para se conectar à internet (que, por sua vez, é lenta e instável). Ela não consegue acompanhar vídeo-aulas de uma forma tão eficiente. Por isso, não tem oportunidades dignas para se profissionalizar e conseguir um emprego de qualidade.

Caso seja contratada para realizar algum teletrabalho, ou opte por tentar vender algo pelas redes, sua dificuldade de acesso lhe dá uma desvantagem competitiva no mercado.

É importante que advogados e demais pessoas que possam trabalhar de home office invistam, na medida do que for possível, em sua infraestrutura de acesso à rede.

Isso envolve tanto a qualidade do acesso em si (velocidade e estabilidade da Internet) quanto os dispositivos de acesso. É muito mais fácil exercer o trabalho do futuro por meio de bons computadores, webcams, teclados e outros recursos.

O futuro do trabalho no Direito

Nove em cada dez ações judiciais foram iniciadas via computador, celular ou tablet no ano de 2019, segundo o Relatório Justiça em Números 2020, do Conselho Nacional de Justiça. Há dez anos atrás, essa proporção era de uma a cada dez processos.

Curiosamente, a Justiça do Trabalho é a que registra maior índice de informatização dos processos, também segundo o CNJ.

Advogados e demais profissionais do Direito se encontram, por isso, numa situação de privilégio em relação às outras profissões. Com o avanço do Processo Judicial Eletrônico, a possibilidade de advogar em home office já é, de fato, uma realidade.

Em função dessa realidade, o futuro do trabalho jurídico apresenta panoramas mais otimistas.

Dicas para trabalhar em home office de forma inteligente

A moral da história, aqui, é que sua preparação para o futuro do trabalho deve começar desde já, uma vez que as profissões jurídicas já podem ser exercidas no ciberespaço.

Para te ajudar a trabalhar em home office de forma saudável e eficiente, vamos apresentar algumas dicas:

Dica 1: Defina bem seus horários

Uma das grandes vantagens do trabalho remoto é a flexibilidade da distribuição de sua jornada de trabalho ao longo do dia (e, é claro, a economia com deslocamento).

Em outras palavras, você pode organizar sua jornada diária de trabalho da forma que achar melhor, desde que isso seja combinado com empregadores e a equipe em que trabalha. No entanto, muitas pessoas acabam se perdendo nessa organização.

Quando o trabalho é presencial, você sabe a hora que chega, que tira seus intervalos e que vai embora. Como não é assim no teletrabalho, muitas pessoas acabam ficando horas a fio na frente do computador, desfocadas, sem render e sem descansar.

Por isso, tente cronometrar o tempo em que trabalha, para ter uma noção melhor de quantas horas cumpriu no dia. Isso ajuda também a manter o foco.

É super importante também tirar pausas: saia de frente do computador por alguns minutos, vá até a janela e respire um ar fresco, e se dê períodos de descontração. Trabalhar ininterruptamente, ao contrário do que muitos pensam, não é produtivo, e vai de encontra com o paradigma do futuro do trabalho.

Um método que ajuda a compreender melhor os períodos de trabalho e descanso é a Técnica Pomodoro. Em resumo, você faz ciclos de 25 minutos de trabalho seguidos de 5 minutos de descanso. A cada quatro ciclos, você descansa por meia hora.

O site Clockify é dedicado a cronometrar o tempo que você gasta em cada tarefa. É um recurso gratuito e ótimo para organizar melhor sua rotina de trabalho.

Tenha um espaço dedicado ao seu escritório doméstico

Não trabalhe deitado na sua cama ou no sofá. Para que sua cabeça entenda que é o momento do trabalho, é preciso dar esse recado também ao corpo.

Separe algum espaço com mesa e cadeira para trabalhar. Peça às pessoas que moram com você para respeitarem esse espaço e seu tempo de trabalho, e que não perturbem a não ser que aconteça algo importante.

Organize sua mesa de trabalho: muitos papéis e objetos em cima da mesa desorganizam também nossos pensamentos. Um espaço limpo te ajuda a manter o foco.

Dê importância aos cuidados da ergonomia: realizar trabalho intelectual não quer dizer que seu corpo não existe. O futuro do trabalho requer que você se mova regularmente, nos limites da sua casa, ou dê uma voltinha na rua vestindo a máscara.

Fonte: https://www.casadaergonomia.com.br/home-office-ergonomico/

Comunique-se!

Algo que certamente faz falta no home office é a falta de momentos de socialização que ocorriam no trabalho presencial. O almoço com colegas de trabalho ou aquela pausa para o café faziam toda a diferença no dia de trabalho.

Contudo, os protocolos de distanciamento social não significam que é impossível interagir com outras pessoas. Procure conversar com as pessoas que moram com você: tire a pausa para o café com elas e pergunte sobre seu dia.

Converse, também, com outras pessoas. Com todo o avanço tecnológico que temos, comunicar-se nunca foi tão fácil.

Que tal reservar algum tempo livre para ligar ou mandar mensagem para aquele amigo que não vê há algum tempo?

Isolamento social não quer dizer que você está literalmente isolado. Comunicar-se com outras pessoas respeitando o distanciamento não só é possível, como é essencial para manter sua saúde mental. O futuro do trabalho não é solitário.

Ferramenta para escritórios em teletrabalho

O Escritório Online é um software jurídico criado para otimizar a gestão do Direito no ciberespaço. Através dele você se adapta ao futuro do trabalho, que como ficou claro ao longo do texto, já é realidade.

O acesso à rede garante uma série de recursos para que as pessoas consigam realizar suas tarefas de maneira mais rápida e organizada. Armazenamento em nuvem, coordenação de tarefas, mecanismos avançados de pesquisa são alguns exemplos de benefícios trazidos pelo mundo cibernético.

O Escritório Online reúne essas aplicações em um único lugar. Confira abaixo algumas das funções dessa ferramenta, que auxilia no preparo do futuro do trabalho:

  • Organização de contatos e documentos na nuvem: armazenando esses dados na web, você e sua equipe têm acesso a todos eles de suas respectivas casas, desde que estejam conectados à Internet;
  • Acompanhamento processual unificado: a depender do plano de assinatura do Jusbrasil PRO que você contrate, é possível também pesquisar o andamento todos os seus processos em um único lugar, de maneira mais ágil
  • Calendário do escritório: defina prazos por meio de um sistema virtual para alinhar o trabalho da equipe;
  • Diretório virtual de clientes: você encontra pessoas à procura de assistência jurídica, perto de você e com dúvidas na sua área de atuação, e pode conseguir clientes de maneira fácil e ética.

>>>> Clique aqui e confira mais informações sobre o Escritório Online

Redação: Tulio de Oliveira Campos

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2 Comentários

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Um belo trabalho, bem oportuno realmente para este crítico momento que o mundo todo está vivendo. Como citado em determinado trecho, as relações patrão-empregado-sindicato-governo (leis trabalhistas), fatalmente sofrerão mudanças, alterações, etc. e, tanto a classe patronal quanto os sindicatos e empregados, deverão ter plena consciência de que essas mudanças foram e serão em consequência dessa pandemia. SMJ, penso eu, que aquele que ouse contestar mudanças necessárias, fatalmente ficará à margem e isolado dos demais...O pouco que sei sobre o pós guerra (1a. Guerra Mundial e a Segunda", não teria sido nada fácil para boa parte do mundo, na época. Igualmente, segundo a história, foi com a" peste negra "," gripe espanhola ", etc. Se esta pandemia atual, teria sido" proposital ", acidental, ou o que seja, se não arrasar, no mínimo desgastará boa parte da economia de alguns países do mundo. continuar lendo

Curiosamente, a Justiça do Trabalho é a que registra maior índice de informatização dos processos, também segundo o CNJ.

Advogados e demais profissionais do Direito se encontram, por isso, numa situação de privilégio em relação às outras profissões. Com o avanço do Processo Judicial Eletrônico, a possibilidade de advogar em home office já é, de fato, uma realidade.

Em função dessa realidade, o futuro do trabalho jurídico apresenta panoramas mais otimistas.

NOTA: Mas , como fica ou ficou esse índice de informatização dos processos eletrônicos no PJE, também segundo o CNJ, quanto a :

* A execução das Diligencias Periciais Trabalhistas, que nestes casos o Perito necessita ir IN LOCO , no local de Trabalho onde o Reclamante que dentro de sua função, exercia suas Atividades para a Reclamada ?
* O CNJ segundo se sabe , solicitou NÚMEROS, a Justiça do Trabalho. O que isso quer dizer QUANTIDADE ?
Pois pelo que se tem visto na Justiça do Trabalho, ultimamente só tem existido ACORDOS, julgamentos , que se saiba , não existem. (NEGOCIATAS) continuar lendo