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30 de Junho de 2022

Como fazer marketing jurídico sem culpa?

Saiba como conectar tecnologia e gestão para dar um salto na sua carreira jurídica.

Blog do Jusbrasil
Publicado por Blog do Jusbrasil
há 3 anos

Por Matheus Galvão

De início, falar em marketing ou publicidade no direito pode gerar apreensão. Dá a impressão de que estamos em um mercado convencional e, tradicionalmente, o mercado jurídico tem algumas limitações.

Em um outro artigo (Advogado pode fazer propaganda?), Rafael Costa, CEO do Jusbrasil, detalhou as regras sobre publicidade na advocacia e apontou alguns de seus atributos essenciais:

  • Sobriedade;

  • Discrição;

  • Caráter informativo.

Mas como, ultimamente, há um número crescente de conteúdos jurídicos nas mídias sociais e outros canais digitais, a pergunta que pode ficar é: eles são a forma certa de se fazer marketing jurídico?

Desmistificando o marketing jurídico

Creio que o grande problema da apreensão em torno do marketing jurídico seja o de associá-lo à propaganda.

Para melhorar isso, vamos reformular o conceito de marketing que está no consciente popular e falar o seguinte. Marketing é

um conjunto de ferramentas, técnicas e estratégias que despertam consciência em um público sobre suas necessidades enquanto expressam o valor de um serviço [ou produto] que atende a essas necessidades.

Entregar um cartão, então, seria uma forma de marketing?

Aparentemente sim, mas o problema do cartão é que ele pode dizer "ei, eu sou um advogado civilista", mas se a pessoa que o recebeu não tiver consciência de que tem um problema que esse profissional específico resolve, não adianta muita coisa.

O marketing não precisa criar necessidades falsas e persuadir alguém a consumir um serviço que ele não precisa, impulsivamente. Ele tem uma grande oportunidade educativa.

É isso que, de certa forma, a OAB pretende ao regular a publicidade na advocacia. Mesmo assim, em um artigo estrangeiro do professor Chester Mitchel, intitulado The impact, regulation and efficacy of lawyer advertising, encontrei o seguinte dado:

"As respostas de publicidade em geral devem ser medidas, não assumidas. Uma pesquisa com advogados que anunciaram na primeira seção de publicidade para advogados do Los Angeles Times revelou que 42% dos entrevistados não receberam ligações como resultado de seus anúncios e que 81% notaram que ninguém buscou por uma consulta gratuita."

Não adianta fazer publicidade extravagante dizendo "venha, contrate um advogado agora" se as pessoas não sabem quando nem por que consultar ou contratar serviço jurídico. O marketing, visto como criador de consciência, atende especialmente a esse propósito.

Como fazer isso com as ferramentas acessíveis hoje?

imagem por Salesforce

Usando o Google para fazer marketing jurídico

O Google é uma ferramenta que tem a missão de organizar toda a informação do mundo e torná-la acessível.

Produzindo conteúdo em sites ou blogs, você pode ter a chance de aparecer organicamente entre os principais resultados de busca do Google. Para isso você precisa produzir conteúdo de qualidade e entender um pouco sobre ferramenta de otimização de busca, mais conhecida como SEO.

Caso você tenha interesse no assunto, pode ler o artigo

Segredos do SEO, escrito por Natália Oliveira.

Ao ser encontrado por seu conteúdo, você estará construindo autoridade e, ao mesmo tempo, criando consciência em potenciais clientes sobre seus problemas e sobre as formas de resolvê-los.

Pagar um anúncio no Google é uma outra opção. Embora pareça ir de encontro ao Código de Ética, esta prática é permitida:

“Pode o advogado divulgar em links patrocinados na Internet seu nome, ou da sociedade de advogados a qual pertença, endereço, telefones e áreas de atuação, dentre outras informações objetivas que entenda pertinentes. É vedada a utilização de expressões imprecisas ou exageradas, ou que extrapolem a modicidade e o caráter informativo com o intuito de chamar a atenção do usuário para seu website. Inteligência do Provimento 94/2000 e do artigo 31 do Código de Ética e Disciplina.”

Ao anunciar no Google Adwords, você define um orçamento e uma meta para um determinado período. Quando as pessoas procurarem por problemas para os quais você pode ajudá-las, dentro de determinadas especificidades, você aparecerá em destaque e identificado como anúncio.

O custo por clique (CPC) pode variar de acordo com as palavras-chave que você especificar para o seu anúncio. Você só será cobrado quando alguém clicar no seu anúncio.

É preciso ficar atento ao fazer anúncios patrocinados, pois eles não podem exagerar, simplesmente chamando a atenção para o site do advogado.

Usando o Facebook para fazer marketing jurídico

O Facebook é uma rede social com a missão de dar às pessoas a possibilidade de elas criarem comunidades e conectar o mundo.

É possível criar páginas no Facebook, o que será o ponto central da sua estratégia.

Preencha as informações com bastante cuidado e detalhe. Isso vai te ajudar a mostrar aos potenciais clientes sua localidade, especialidade, interesses e proposta de conteúdo.

Conteúdo é outro ponto ao qual você deve dar muita atenção. É preciso ter consistência no que você pública. De outro modo, você pode confundir os seus seguidores e perdê-los, pois eles não entenderão a sua proposta.

Conteúdos interessantes e permitidos de se postar no Facebook:

  • Peças gráficas com explicações breves sobre direitos e termos jurídicos;

  • Peças gráficas referentes a datas comemorativas importantes e relacionadas à sua especialidade (ex.: Dia da Árvore se você atua em Direito Ambiental);

  • Links para artigos e outros conteúdos;

  • Vídeos curtos com explicação sobre assuntos jurídicos atuais ou relacionados à sua área de atuação.

Usando o Instagram para fazer marketing jurídico

O Instagram é a rede social do momento. Mais de 1 bilhão de pessoas o estão usando e os principais criadores de conteúdo do mundo geram atenção para suas marcas, serviços e produtos por meio dele.

A lista de advogados usando o Instagram também só tem crescido. Perfis como o da advogada Camila Masera (80 mil seguidores) Mariana Gonçalves (55 mil seguidores), Gabriela Macedo (39 mil seguidores) movimentam a rede com conteúdo diário e quase que ininterrupto.

Boa parte deles e delas focam em relacionamento profissional, produzindo conteúdos que atraem outros advogados e que permitem valorizar outras facetas de seus trabalhos.

O papel do Instagram é principalmente ajudar você profissional do direito construir uma comunidade forte em torno de suas melhores qualidades.

É uma grande oportunidade, especialmente considerando que a advocacia é apenas uma das possibilidades.

Dica: se você pretende ter acesso a ferramentas como estatísticas e dados do perfil de seu público, configure o seu perfil como Criador de Conteúdo ou Perfil Comercial. Nada é cobrado a mais por isso e você consegue entender a dinâmica da comunidade formada em torno do seu conteúdo.

Usando o Linkedin para fazer marketing jurídico

Mais sóbria e menos lúdica do que as outras rede sociais anteriores, boa parte dos conteúdos distribuídos pelo Linkedin fazem referência a conquistas, capacitação, parcerias, especialidades e relacionamentos profissionais.

A proposta é, além de dar consciência a potenciais clientes sobre a sua existência e atuação, criar novas conexões importantes no cenário jurídico.

Daí é bem importante que você:

  • Complete o seu perfil com uma foto de perfil sóbria e uma capa que traduza bem a sua personalidade e especialidade.

  • Complete as informações sobre competências, experiências e atribuições.

  • Apresente um resumo claro e atrativo sobre o seu perfil profissional, sua visão e valores.

  • Busque criar postagens que iniciem conversas e interações. Contar histórias sobre seu dia e transformações pessoais são ótimas oportunidades de abrir portas para interações.

  • Compartilhe seus conteúdos de blogs e sites para que tenham mais alcance.

Concluindo

Em resumo, deu para notar que marketing jurídico não precisa ser algo intrusivo e nem exagerado.

Pequenas ações instrutivas e simbólicas geram efeitos melhores do que propagandas agressivas.

A proposta é criar nas pessoas a consciência de que:

  1. Elas têm uma necessidade ou problema.
  2. Elas podem resolvê-lo.
  3. E você pode ser uma das alternativas para ajudá-las.

Pensando dessa forma você se sente mais confortável para investir no marketing jurídico. Sem culpa.

Bônus

Aplicar esses princípios para um marketing jurídico sem culpa pode ser bem desafiador no início. Mas garanto que, com o tempo, adotar essa estratégia trará um grande benefício para você e para seu negócio!

Pensando nisso, vamos realizar um webinar com uma das maiores especialistas no tema para que ela possa trazer alguns insights práticos de como se fazer um marketing simples, ético e eficaz. Nossa convidada, a Juliana Pacheco, tem 18 anos de experiência com gestão legal e acabou de lançar um livro sobre marketing para advogados. Ela ainda vai apresentar um seminário sobre o assunto no maior evento jurídico da América Latina, a FENALAW, e vai trazer alguns dos principais pontos que vão ser trabalhados no evento.

O webinar vai acontecer na terça-feira (22/10), às 11h00, e será transmitido gratuitamente para todos que fizerem a inscrição neste link.

Além disso, vamos sortear um pacote de palestras para a FENALAW para quem estiver acompanhando a transmissão ao vivo. O evento, que ocorrerá entre os dias 23 e 25 de outubro, em São Paulo, vai contar com mais de 150 palestrantes para um total de 5.000 pessoas, entre congressistas e visitantes - e o pacote de palestras vale R$ 3.695,00!

Você não vai querer ficar de fora dessa, não mesmo?

>>>Cique aqui agora para fazer sua inscrição neste webinar exclusivo.

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6 Comentários

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Eu quero tanto ir, Matheus!!!!
Quero participar deste pacote de palestras!!!!
Vou cruzar dedos, descruzar pernas e agir! Eis a saída!
Não tenho sorte nestes troços de "sorteios, bingos, etc", porque tenho sorte no amor.... Rsrsrsrs

Mas vou participar do Webinar da Dra Juliana e, com as dicas valiosíssimas que vc acabou de passar, acabo de concluir que preciso fazer muitas mudanças.

Ixe, final de 2019 que me aguarde!!!!
E haja gás para 2020!
Obrigada, de coração, pelas dicas!
A Natália já havia me alertado um dia desses sobre o LinkedIn.... Agora, vc dá um show de aula.
Obrigada! continuar lendo

Uau, quantas dicas maravilhosas. continuar lendo

Nos Estados Unidos, Vc se depara NAS ESTRADAS com OUTDOORS é com Foto do Advogado e do Cliente se dando as mãos e comemorando. Tipo: Mais uma causa ganha de $ 700 mil .... ganhamos $1.200.000 na causa de fulano.... etc

Porque nesse País Tupiniquim tem que ser assim? continuar lendo

Justamente pela cultura. Se hoje no Brasil se liberar a publicidade e propaganda na advocacia, somente os grandes teriam condições de pagar pelas mais caras mídias, o que por certo destruiria os advogados em início de carreira. continuar lendo

A ideia de dizer que os Links patrocinados são permitidos genericamente é uma questão polêmica e em alguns casos não é verdadeira. Por exemplo: em Goiás o Tribunal de Ética e Disciplina respondeu uma consulta em tese que desvenda esse mistério, pois ficou respondido que o patrocínio de Links é uma ferramenta proibida, pelo menos no Estado de Goiás e no âmbito da Seccional da OAB.
Nessa resposta a uma consulta em tese, a questão girou especificamente quanto ao alcance e necessidade de divulgação a um sem número de pessoas das quais sequer querem ou pediram qualquer informação sobre advocacia. Os Links patrocinados agem na verdade como verdadeiras publicidades, não se diferenciando em nada de anúncios em rádio, Tv ou jornais, no sentido de alcance de público indiscriminado. (Luciano Cardoso, Conselheiro Seccional da OAB/GO e Presidente da Comissão Especial de Combate ao Exercício Ilegal e a Captação Indevida de Clientes da OAB/GO.) continuar lendo