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14 de Agosto de 2022

Marketing para advogados: algumas mudanças vêm surgindo. Você está preparado?

Blog do Jusbrasil
Publicado por Blog do Jusbrasil
há 2 anos

Não sei se você sabe, mas desde Setembro de 2019, o Conselho Federal da OAB está promovendo uma pesquisa para saber a opinião dos advogados brasileiros sobre os limites e a atualização das regras de publicidade - ou marketing - na advocacia.

Em um questionário com 5 perguntas bem simples e objetivas, além de um campo aberto para sugestões, o Conselho quer saber se os advogados são a favor:

  1. da flexibilização das regras de publicidade;
  2. da utilização das redes sociais;
  3. da regulamentação de limites da publicidade na advocacia, como o uso ou não de anúncios pagos, por exemplo;
  4. da utilização de plataformas digitais para intermediação e divulgação de serviços profissionais;
  5. da divulgação de serviços jurídicos específicos.

Quase vinte anos depois do principal provimento sobre o assunto - o Provimento 94/2000 do CFOAB - e de um Código de Ética tão antigo quanto, as transformações digitais e a nova realidade dos relacionamentos humanos no ambiente online têm exigido uma regulamentação atualizada para que os profissionais do Direito se posicionem com segurança nesse cenário jurídico tão competitivo e dinâmico.

Ao que parece, o foco da questão está nas plataformas digitais e nas redes sociais, não só porque não há previsão sobre o assunto nas regulamentações em vigor, mas, sobretudo, porque esses ambientes são os mais sedutores e utilizados para construir uma presença online atualmente.

O que o Código de Ética e o Provimento 94/2000 dizem?

Atualmente o Código de Ética e Disciplina e o Provimento 94/2000 dispõem que a publicidade profissional tem caráter meramente informativo e deve primar pela discrição e sobriedade.

Esses são os princípios básicos que norteiam o ofício.

A regra nacional, no entanto, não estabelece critérios objetivos e bem definidos. Ao dizer que o advogado deve anunciar seus serviços “com discrição e sobriedade”, por exemplo, a OAB deixa uma enorme lacuna aberta, o que dificulta a interpretação e tem provocado várias decisões diferentes nos Tribunais de Ética das seccionais pelo país.

Além disso, apesar do Provimento 94/2000 dispor sobre a proibição de publicidade em painéis de propaganda e anúncios luminosos, tais canais são de pouco interesse dos profissionais jurídicos, tornando-se praticamente irrelevantes essas regras - será que algum advogado pretende colocar um painel luminoso na porta do escritório?

Das próprias perguntas promovidas pelo Conselho Federal na pesquisa que visa a saber a opinião dos advogados sobre o assunto, verifica-se uma tendência a flexibilizar - ou não - as regras de publicidade nas redes sociais.

Como dito, esses são os ambientes mais utilizados atualmente, não só no setor jurídico, mas em praticamente todos os ramos de negócio, motivo pelo qual devem integrar as estratégias de marketing dos profissionais jurídicos nesse mundo hiperconectado.

O que os advogados têm feito e como os tribunais de ética têm decidido?

É consenso que o advogado ou o escritório de advocacia pode fazer “publicidade informativa”, e é aí que entra a produção de conteúdo jurídico.

Em plataformas digitais gratuitas como o Jusbrasil, por exemplo, muitos advogados estão criando textos sobre os mais variados temas jurídicos com o objetivo de mostrarem o seu conhecimento e, consequentemente, serem encontrados por clientes potenciais que estão pesquisando sobre aquele assunto.

Mais de um milhão de pessoas passa diariamente pelo Jusbrasil buscando informações, e esses textos funcionam como verdadeiros ativos capazes de mostrar não só o conhecimento do advogado que o escreveu, mas, sobretudo, fazer com que ele seja conhecido pelo cliente potencial.

Essa é uma forma incrível - e muito eficaz - de fazer “publicidade informativa”!

Tribunais de Ética e Disciplina da OAB da Bahia e de São Paulo têm permitido também que escritórios de advocacia patrocinem anúncios no Google e no Facebook.

Para o TED baiano, por exemplo, como ainda não existe regulamentação específica na OAB sobre o tema, devem ser observados os princípios gerais da publicidade na advocacia, bem como a analogia, e os escritórios podem sim se valer dessa possibilidade para ampliar o alcance do seu conteúdo.

Se você parar para analisar, as principais questões levantadas pelo Conselho Federal para atualizar as regras da publicidade na advocacia, ou seja, a utilização das redes sociais, a possibilidade de anúncios pagos e a utilização de plataformas digitais, já estão sendo praticadas por muitos - não por todos - advogados e escritórios de advocacia.

A medida, portanto, visa a atualizar a norma e contemplar todos os meios de publicidade que surgiram desde a edição do provimento, para que os advogados possam se apresentar para esse moderno mercado de trabalho com mais segurança, sabendo exatamente o que podem e o que não podem fazer.

O que você pode fazer, então?

É evidente que não há qualquer impedimento ético à publicidade dos serviços jurídicos, desde que a discrição e a sobriedade estejam presentes, claro.

Na verdade, fornecer informações jurídicas relevantes à sociedade é um dever dos operadores do Direito. Os diversos abusos noticiados, a morosidade do Poder Judiciário e a falta de conhecimento sobre direitos básicos indicam que a nossa sociedade precisa de mais informação, não só para remediar, mas também para prevenir problemas.

O Jusbrasil tem como missão diminuir a distância entre as pessoas e a justiça, a fim de que o cidadão possa compreender melhor os seus direitos e encontrar soluções reais para o seu problema.

Para isso, nós precisamos de você, e é isso o que você pode fazer: dar publicidade ao seu conhecimento jurídico através de conteúdos como artigos, e-books, infográficos e webinars!

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Andressa Vieira Popinigis, Advogado
Artigoshá 4 anos

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7 Comentários

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Esse assunto dá pano pra manga e quase ninguém fala a verdade do assunto. A grande verdade é que grandes escritórios compram leads e saem mandando e-mails a torto e a direito e nós advogados autônomos temos que nos virar pra fazer marketing que atrai as pessoas de forma ética. A oab não está preocupada com isso e quando alguém traz o assunto a toa é considerado invejoso das grandes bancas.

Essa semana mesmo a oab emitiu uma nota falando sobre publicidade, que estava havendo muita propaganda, mas ninguém nunca questionou os métodos das grandes bancas. continuar lendo

Exatamente, Alice. Isso é assunto que ainda rende boas e longas discussões.

Acredito fortemente na flexibilização de algumas regras e desregulamentação de outras.

As grandes bancas estão todos os dias nos maiores jornais (internet, impressos e TV), mas ninguém fala nada. Porém, o jovem advogado não pode nem sequer patrocinar conteúdo para quem já o acompanha nas redes. Lamentável!

Enfim, seguiremos na luta por um mercado mais igualitário e acessível. continuar lendo

A flexibilização do marketing dos serviços advocatícios é medida necessária, pois beneficia principalmente o jovem advogado, em início de carreira, que precisa da ferramenta das redes sociais para ganhar visibilidade e competir com os advogados já estabelecidos. continuar lendo

Depende meu amigo, em termos de poder aquisitivo as grandes bancas esmagariam na concorrência, imagina, o advogado iniciante competir com escritórios renomados divulgando outdoors, etc. continuar lendo

Vejam esta matéria:

https://www.oab.org.br/noticia/58017/oab-orienta-advocacia-sobre-criacao-de-conteudo-na-interneteredes-sociais continuar lendo

Excelente conteúdo, Jus.

O mercado jurídico precisa mudar essa mentalidade do século passado. Ninguém mais compra ou venda da mesma forma!

Num mundo amplo, dinâmico e volátil, precisamos de menos regras e mais ação. continuar lendo