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23 de Outubro de 2020

Escrever bem te faz um advogado melhor por essas razões

Esteja preparado para se comunicar com assertividade na advocacia.

Blog do Jusbrasil
Publicado por Blog do Jusbrasil
há 5 meses

A principal habilidade de um profissional - em qualquer área - é a comunicação.

Isso significa saber transmitir informações com clareza para conduzir pessoas a tomarem decisões confiantes que a levarão a atingir seus objetivos, inclusive o de simplesmente aprender coisas novas. Nesse ponto, escrever é um bom exercício para organizar o pensamento.

Para um advogado não é diferente e, considerando que a maior parte das nossas conversas acontecem ambientes virtuais, vou listar algumas razões para você escrever melhor.


Porque juízes apreciam objetividade

Há uma obsessão na advocacia por textos prolixos, cheios de palavras complicadas e expressões longas que fazem parte do vocabulário da classe, mas que poderiam muito bem ser substituídos pela simplicidade. Uma petição direta agrada os juízes, por exemplo:

“Temos um volume imenso de trabalho. Se a petição se tornar uma tese, perdemos a atenção. Tem de haver a clareza do que está se pedindo, colocando somente o conteúdo necessário”.

Essa é a opinião de uma juíza carioca. Não é diferente de outras 5 opiniões que você pode encontrar neste artigo: Magistrados dão dicas valiosas de como escrever petições iniciais.

Nada como atender às expectativas de quem vai ler as nossas petições.

Porque seus colegas e clientes esperam te entender

Hoje é comum lidarmos com pessoas que não compartilham o espaço físico conosco. Trabalhamos com pessoas que estão a quilômetros de distância e precisamos ser claros e objetivos nas nossas interações.

Imagina só se você precisar descrever um serviço para um correspondente jurídico, atribuir uma tarefa a um colaborador que atua remotamente, ou até mesmo explicar a um potencial cliente o que ele precisa fazer para fechar um contrato com você.

Essas ações podem ser feitas virtualmente, por um software jurídico, e é aí que você vai precisar de todos os seus dons de comunicação.

Porque uma boa presença virtual exige clareza

Já falamos sobre isso em outro artigo, mas o que você precisa entender é que as que advogados que produzem conteúdo na internet são muito mais lembrados por aqueles que precisam de seus serviços.

Mas não é simplesmente escrever. É escrever bem, ou seja, escrever algo que contribua realmente para o entendimento ou para que alguém solucione uma questão. E só um texto claro consegue cumprir esse objetivo.

A internet está cheia de textos jurídicos confusos, verborrágicos e, desculpem a sinceridade, inúteis.

Algumas dicas para escrever melhor:

  • Comece pelo principal: não espere chegar ao final para mostrar o seu ponto. Comece deixando claro qual é o objetivo ou o que você espera do interlocutor e então explique os detalhes.
  • Quanto menos palavras melhor: seja econômico ao escolher o que falar. Às vezes, dez palavras podem ser substituídas por três. Faça um exercício de redução sempre que você terminar o seu texto.
  • Use voz ativa: na voz ativa “alguém faz alguma ação”, enquanto na passiva “alguma ação foi feita por alguém”. Por exemplo: “Luiz escreveu a petição” (ativa); “A petição foi escrita por Luiz” (passiva). Voz ativa é muito mais clara e reduz o risco de confusões na compreensão da sentença.
  • Cada sentença é uma ideia: Não tenha medo de separar uma longa sentença - ou até mesmo um parágrafo - em trechos menores. Use pontos finais em intervalos curtos em vez de separar longas sentenças com vírgulas. Dê mais oportunidades para o leitor respirar e assimilar as ideias.
  • Evite sentenças negativas: “sentenças negativas não facilitam a compreensão”. Notou como essa sentença não ficou tão clara? Parece que temos que pensar duas vezes para entender o que ela quis comunicar. Use sentenças afirmativas. Esta frase ficaria melhor assim: “sentenças negativas confundem o leitor” ou “dificultam a compreensão”.

Texto de Matheus Galvão

29 Comentários

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A enunciacao dos fatos nao e nada mais nada menos do que contar uma historia. A historia dos problemas do cliente. Para tanto, habilidade de escrever de forma simples, clara, concatenada, seguindo a sequencia logica dos fatos e absolutamente FUNDAMENTAL!!!!!! continuar lendo

Exatamente, @jfcarli!

A advocacia, em certa medida, se aproxima muito do ofício de contadores de história. A diferença é que, para além de estabelecer o raciocínio com os fatos, juristas incorporam o Direito em suas "histórias" para tecer o argumento em favor de seus clientes

Prender a atenção, trabalhar a causalidade a efeitos do que está sendo narrado e destacar as partes essenciais do processo são habilidades essenciais a qualquer profissional do Direito (e contador de histórias!) continuar lendo

Excelente Matheus!
Dicas valiosíssimas. continuar lendo

o @galvomatheus e todos aqui do time agradecem o feedback, @suelyvandal ! continuar lendo

Sempre digo isso: Para elaborar uma petição inicial adequada, não se faz necessário, usando o jargão popular, "encher linguiça"
O juiz não perde tempo com narrativas extensas.
Identifica as partes, os motivos da ação, valores que o autor acha justo e procedência ou não da ação. O resto ele nem toma conhecimento.
Seja breve e use de linguagem adequada ao pedido e nada mais.
Um dos grandes erros das faculdades de direito é que a maioria dos professores não cobram dos alunos uma gramática adequada e se formam praticamente analfabetos jurídicos. continuar lendo

A ideia nunca deveria ser mostrar conhecimento, mas sim resolver o problema do seu cliente!

"Encher linguiça" ou fazer textos rebuscados/pedantes são vícios que necessariamente deveriam ser corrigidos na formação de futuros juristas, @lantpedrotti (não incentivados, como várias vezes acontece!) continuar lendo

Muito bom! Parabéns continuar lendo